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sábado, 19 de julho de 2008

cidades-migração-cidades











Foto: Sebastião Salgado, 1998, Tijuana, México

Cidades não morrem
as pessoas que moram nas cidades
é que morrem.
Cidades não morrem
as pessoas é que matam as cidades
aos pouquinhos dentro de sí
Quando migram

sábado, 14 de junho de 2008

Um olhar de geográfo à poesia do centro de São Paulo.

foto: Camila Mafra / Centro de São Paulo visto do alto do Edifício Martinelli.

O som do Centro

Carros ultrapassam o sinal vermelho
Pessoas se atropelam nas calçadas
Corre, corre que não pára
Dia, noite vem e passa
Corre, empurra ata desata o tênis sport
Do office-boy apressado
corre, dói aperta o pé da recepcionista agitada
corre,corre desce sobe escada
sobe, desce ascensorista
vai e vem o motorista do ônibus
lotado, lento
e o operador do metro,
vem e vão os pensamentos
os preconceitos
os acontecimentos
vão , vem
São e deixam de ser
O sonho do pequeno, de crescer.
E do grande de ser maior
Vem e vão , impunidade
Crueldade, perversidade.
Na Cidade que não pára
Economiza energia elétrica
Mas não para de piscar
Economiza água
Mas não deixa de alagar
Corre, corre, nada.
E não pára
Produz e não recicla
Corre, corre e não pára.
Reconhece
Mas não pune
Ver
Mas cala-se
Corre, corre...
Foge.
E não faz nada...






texto de 2002, quando caminhava pelas ruas do Centro de São Paulo.